de Stefan Duncan Gallery

16.10.06

chuva deserta

Vadim Nishenko

vá, não me olhes assim mocho atrevido. mais depressa soubeste tu a chuva do que eu. lá porque te contei os meus desertos, não te sintas já dono de mim.
nos outonos eu era feliz. nada mais a saber. o demais eram mãos dadas em urgentes madrugadas e cores infinitas ao sol por.
mas caiu o silêncio.

*Grandes são os desertos, e tudo é deserto. Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto.
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes são os desertos, minha alma
Grandes são os desertos.

Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.

Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.

Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.

Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.

Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.

Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.

Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!

Mais vale arrumar a mala.
Fim.

Vadim Nishenko

já arrumei a mala, mocho. há água no deserto. já podes deixar de olhar para mim. levo na imaginação o oásis do outro que me envia esta chuva deserta. o que partiu. o que fez mais depressa as malas do seu ser. vou. para onde? por enquanto para onde tem de ser.

levo-te o olhar. mocho bom!

*Álvaro de Campos


Comments:
pois pois weg... irrequieta, é o que é... já percebi!

como queira, como queira!!!!!

Vais? Pronto. Beijos!
 
weg

acabei de acordar...acabei de ler-te.

é isso.

beijos. beijos

della
 
Teresaq, Delkla, bom dia matinais comentadoras. Boa semana de ytrabalho.

--------- Teresa, ainda bem que tu entendes porque eu não te entendi ahahahahaha

mas eu devo (ando mesmo!) burrinha da Silva.

Bjs.
 
Se o choro é a chuva no deserto da alma...
que venham as lágrimas!
 
Concordo com Daniel.

Só que por vezes há seca por dentro, também.

Olá.

:)
 
meninas!
a Weguinha acabou de inventar uma nova modalidade de comentar ... só que ainda não percebi muito bem se ainda está a dormir ou se levou marretada na cabeça ... hum!hum! ... enganou.se nas ervas
_______________________

Weguinha

quem te mandou andar com o prime Álvare? hom'essa!!!! ... ir de malas p'ro deserte ,melhêre ,e sem escraves? t'ás fêta!
 
Olá Daniel, saltimbanco (que dizem que sou eu - viva eu que sou plural!) e Teresa.

Para a última não reinar mais comigo re-posto o comentário ensonado:
Teresa, Della, bom dia matinais comentadoras. Boa semana de trabalho.

--------- Teresa, ainda bem que tu entendes porque eu não te entendi ahahahahaha

mas eu devo (ando mesmo!) burrinha da Silva.

Bjs.


PS: a minha cadela não me deixou dormir com medo da trovoada, justifico-me.

Bjs e Boa tarde.
 
Tens mesmo que arrumar a mala...Junta as melhores recordações, dobra-as em quatro e guarda-as bem juntinhas, para haver mais espaço para novas recordações!

Beijokas
 
Dentro de uma velha mala de viagem encontra-se sempre a areia dos desertos cruzados...e o bolor criado pela humidade que a água dos oásis deixou. Oásis onde as almas perdidas vaguearam...
 
Pois...
Adoro mochos, tenho um sempre por perto que pia alto!
Voltaste ou vais? Eu é que já não entendo nada...!
Estou meio parada...cansaço de vadiar!
Beijinhos
 
coitada da cadela ,além de ser do benfica à força ,ainda apanha com as culpas das ressacas da dona!!!!

__________________________

Weguinha!
já imaginaste a tua cadela a comentar em noites de trovoada?
eheheheheheheeh

bêjes ,miúda!
 
weg:

"Mais vale arrumar a mala.
Fim."
já arrumei a mala...vou. para onde? por enquanto para onde tem de ser.

levo-te o olhar. mocho bom!


pensei que ias fechar o blog. algum problema nisso?

beijos
 
Não D. Tareja. :D

No problem at all!

Eu é que tenho andado ensonada, apardalada aparvalhada e outras coisas em ada mais do que costume. Por isso vou fazer umas férias de blog em vez de mudar de blog como fazia quando andava enjoada.

Beijinhos.

:)
 
Weg, estou meia como tu...
Será do Outono? Sinto-me parada, mas não deixo de blogar, porque gosto de estar convosco...
Faz lá essa pausa...mas que seja curta!!!!!
E não mudes de blog...Passo a vida à tua procura, pô!!!Tem dó!
Fica bem.
Bjinho
 
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