de Stefan Duncan Gallery

16.9.06

da Terra. as mãos na terra, a água...

andy freeberg

de uma concha no rio digo alto o teu poema. ecoa na planície e retorna a mim. ciclo de quê?


*Não há cavador só do exterior
Desgastou-o a terra tornou-se terra
fechou-lhe a boca gretou-lhe a pele
não há cavador só do exterior

Não há cavador só do exterior
Da fome é a sua cor é tão pobre que não conhece o calor
a vida mirrou-o o senhor usou-o
não há cavador só do exterior

Perry Dilberck

Não há cavador só do exterior
Fez um poço tão fundo que cabe lá dentro o mundo
a terra fez nele uma ferida e ele deixou a mulher parida
não há cavador só do exterior

Não há cavador só do exterior
Arroteou montes fez correr fontes
regos rugas na cara que o choro fura
não há cavador só do exterior

serge-sautereau.

Não há cavador só do exterior
Ele a cuspir nas mãos e a cavar a chuva a cair o sol a queimar
em casa a mulher foi casar e fiar parir e chorar
não há cavador só do exterior


perry dilbeck

Não há cavador só do exterior
A terra deixou de dar teve de emigrar
e embora estar fora lhe doa a tudo ele se afeiçoa
não há cavador só do exterior

Não há cavador só do exterior
Cava tudo a eito arranca uma pedra tem uma pedra no peito
uma lasca de pedra num olho e é já de terra o seu corpo velho
não há cavador só do exterior(...)



Jaime Serrano

nada dado a carinhos expressos. os lábios secos demais para infantis peles de cidade

- deixa-te dessas coisas filha, já 'tou velho...

mas de caminho para os teus braços de árvore, saltava-te para o colo de gigante, sem me intimidar.

até breve avô. estou de passagem.

não vou ficar por cá para a última colheita, prova a deus.



*Obrigada Querido Ruy Belo
Excerto de, "Canção do cavador", in Toda a Terra


Comments:
Uma bela lembrança e uma extraordinária inserção das palavras de Ruy Belo no teu texto. **
 
weg


deslumbrante...como são as lembranças dos avôs...leva-me por caminhos emociantes...
emoções...faltam-me palavras para expressá-las, descreve-las...

beijos carinhosos

della
 
Aquele poema... custa ler. fere. bj
 
pois...

(já disseram, aqui em cima)

quem nasce, quem vê, quem colocou as mãos na enxada

(que eu só o fiz por brincadeira nas férias mas de alguma forma lá apreendi as palavras... ou escorrem no sangue que nos transmitem?)

sei lá o que sei sobre a vida...!

Beijos
 
gosto de ler.te e descobrir ,aqui ,o outro lado de mim
.
.
.
obrigas.me
.
.
e eu fico
.
(pseudonice barata ,não faz mal .gosto de saber.te deste lado .onde posso estar.me neste encontro com a terra e tu e os outros .muito .um dia falamos mais a sério .por ora fico.me.te apenas grata)
 
voltei ,não resisti
.
.
.
amanhã virei
.
.
não sei
.
voltarei para levar de uma vez tudo o que deix(aste)ei para trás

( deixa.me confessar.te algo - na minha infância ouvia este coaxar de rãs no jardim situado frente à casa .na minha adultez ,gosto de re-vê-ouvi.los )

beijos!
 
Olá
li e reli gostei muito
beijos
 
tão cru e duro como belo o poema


:)
 
muchas gracias Weg por alegrarte con mi regreso
gracias por tu cariño, te dejo besitos y que comiences una linda semana



besos y sueños
 
Estas palavras e imagens,
Deixam me assim.
Sem folego.

..
 
Vida de vidro, Della, Malucaresponsável, Teresa Durães, Al-jib, Lmatta, Um outro olhar, Freyja, Estranha pessoa esta, bom dia!

Sei, é um poema difícil. O Ruy sabia bem do que falava. Amava a terra tal como eu a amo, mas a terra perto de Campo Maior que no funeral dele, demonstrou bem como o conhecia e amava, despejando-se inteira para um cemitério que se tornou subitamemnte pequeno, conhece bem as rugas e a dureza da terra que trabalha ou já nem pode trabalhar.

Se algum mérito há neste post, devo-o ao Ruy. Quem ainda o não conhece faça-se o favor de o ler, que vale a pena.

Beijos a todos. Agora mudo de rumo e parto, de comboio, para outra zona da minha viagem ou lá o que isto é.

Obrigada.

Boa semana para todos.
:)
 
isso significa mudança de blog???

(vamos de ter de vasculhar a net de novo???????)

tu vê lá.... :D

beijos e bom dia!
 
Só mudo de rumo.MAntenho-me de caminho.

Nã te assustes. estou farta de mudar de blogs.

:)
 
Deambulei pelas tuas memórias... e pelo perfume de terras do Alentejo.

Beijo doce

ps - o teu blog só permite comentários a quem tenha blog no blogger. Quem seja de outros blogs, não pode fazê-lo ;-)
 
Soberbo texto e imagens bucólicas de uma estética fora do comum...de caminho vou parando nas tuas criações e o fascinante é que surpreende-me sempre...

Doce beijo
 
Sutra, Obrigada pela visita e as palavras.

Qt aos comentários, mudei de blog para me livrar de um par de ociosos que brincam com toda a espécie de anonimato. Deplorável hábito mas existe. Vou abri-los. Veremos...

:)beijo

--------

Alquimista, o bucolismo não é meu, é de quem escreve como o Ruy ou fotografa como vês aqui. sou divulgadora de olhares alheios, pouco mais

:)

Obrigada Beijo carinhoso
 
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