de Stefan Duncan Gallery

18.8.06

vou de comboio, vou.

mecanizado e duro como sou
neste dia
e mesmo assim tu vens
tu me visitas
tu ranges nestes ferros
e palpitas
dentro de mim, poesia.*


from The Minor Archive White

não vou de comboio, ando. até que se rompam as solas e depois. ando sem gente. que alívio! trauteio versos como quem assobia. cada um espairece como sabe e comigo é assim. escolho uma estrada a branco e preto não a preto e branco, parece igual? - não é. vou pelo negativo de uma estrada, o branco envolve-me e só está escuro o onde ponho os pés.



stevoi


tanto me apetecia agora ser
alguém que não pensasse
nem sentisse
alguém que visse padecer
e não visse
alguém que fosse pela estrada fora
neutro como um rapaz
que come e bebe a cada hora
sem saber o que faz!*


espelha-se um cão pequeno nas poças da chuva que caiu. vê-se ao espelho? tem sede? não me aproximo. não lhe faço festas. não quero laços, mais laços nunca mais. acabei de rebentar os nós rasgando os pulsos presos. não, nem um cão. tem coleira, tem dono.

continuo. cantarolando ainda, oiço um correr ligeiro. é o cachorro que me segue. está perdido.
nada a fazer. foi breve a minha liberdade total. há-de cansar-se e parar, onde vir a mão de uma criança que lhe faça uma festa no pelo doirado. quem não se cansa de me acompanhar? sim, quem não se cansa se até eu me canso?
mas descobri um cão.


* Miguel Torga (Ode à Poesia)

Comments:
Ai ai, fotos com cãezinhos é que não!! O meu coração quase que se evapora de tão 'mole' que se torna... lol
 
:)
 
Obrigada pela visita ao "Outro Mundo". Pelo que vejo está a começar, pelo menos aqui...
Bons começos :)
 
Nova viagem, recomeçar...
Pois bem, a branco e preto, seja!
Gosto dos negativos, apenas como imagem...
Está lindo, este novo espaço de contar. A cor, o header, as palavras, o estilo...
Inconfundível, imagem de marca.
Beijinhos
 
comboio gosto de andar e apreciar a paisagem que dele se avista

"vou pelo negativo de uma estrada, o branco envolve-me e só está escuro o onde ponho os pés." também eu prefiro, tem luz e eu vejo

Gostei

:)
 
Adorei a tua escolha.
Magbifica!!!
Bigada pela visita. Volta sempre
Dark kiss
 
Bom FDS!
A música....Lindíssima!
Jazz a embalar-nos...
Bjs
 
Só gente Gentil! (como se eu esperasse outra coisa dos eleitos...)

Tenham um Excelente fim de semana e... caminhem.

"Ficar parado/ antes o poço da morte que ta sorte!"

:)
 
...mas tens uma companhia, a mais fiel: a solidão :). não tem coleira, não tem forma nem sombra, não estende a mão para receber ou dar carícias...está dentro de nós.

gostei muito do teu espaço. virei, no silêncio e na transparência. não serei apercebida....

**
 
weg, essa frase é de João de Deus não é?

Bom fim de semana
 
Olá Musalia,eu amo a minha solidão. De caminho, agradeço...:)

........

Teresa, confesso: aprendi-a com o Sérgio Godinho. ;)
e aproveito para corrigir: " antes o poço da morte que tal sorte"
 
andei às voltas com a frase...

Não interessa também! Bom fds...

(bom Jazz!)
 
um dulcíssimo texto ,todavia ,prenhe
.
.
.
de NÃO
.
.
não ... não desistas ,amiga ,os teus próprios passos levam-te ao SOL
.
o ASTRO MAIOR

pelo caminho ,faz uma festa ao cão
e deixa-te conduzir por ele

sorri-lhe e deixa que ele o faça a ti

à tua volta o sorriso transforma em SOL

ASTRO IRMÃO

do cão

dourado
.
um beijo ( e voltarei! )
 
"tranforma-se" ( desculpa ,as teclas "fugiram-me" )
.
.
.
( e não estranhes os meus comentários. não gosto de lugares comuns )
.
 
Teresa, poisa a frase senão fica tonta lolol

........

aj-jib, conheço os teus comentários e tb detesto lugares comuns. só ainda n aprendi a livrar-me deles.

:)
 
Um P.S. francamente fora de contexto eheheeheheheh

(duas da manhã, no que dá....)

O meu cão cão veio atrás de mim, tinha coleira, foi abandonado e eu recolhi-o. Tem pelo dourado, é um cocker! lolol

É um amor! (sorry....devo mesmo ser a tal criança do texto!)
 
andas só e sua liberdade jamais será breve...infinia estrada que escolhes!mas Torga prenuncia...

um abraço

dellla-porther
 
Olha um comentário perdido vindo muito provavelmente, numa garrafa oceano fora!

:)

Torga seria o nosso Prémio Nobel se dependesse de mim.

Ele prenunciou tanta coisa...

Uma coisa e talvez a única, temos em comum, o amor à Liberdade e à Nossa Terra.

Beijo, Della.
 
Teresa, tu és uma criança!

PS Eu também e graças aos deuses por isso!

:)
 
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