de Stefan Duncan Gallery

24.8.06

o sótão.

by Wis

gosto de caminhar nas pedras, de saltar de uma a outra, de me deixar escorregar pelas mais lisas. foram os verdadeiros corrimões da minha infância e não têm comparação aos das escadas. sinto o frio húmido da pedra através da roupa.

o rio está perto, vê-se pela erva que nasce nas poças de chuva que não secam.

pena não haver papoilas já. voltarei quando houver. este caminhar é sem tempo e isso é bom.

Enie Sue

tem sido bom tudo o que sinto e o que me vem ao sentir, da janela do sótão que pensei ter deixado fechada. tanta coisa guardada e rica de sensações, pequenas verdades que fazem o essencial da vida e têm surgido, pelo simples pisar de terra verdadeira.

em pedras assim lisas, como esta que piso, lavavam roupa as mulheres cantando ou conversando. batiam-na com força, depois torciam e alisavam-na branca, num plano estendal verde, até ao pôr do sol. e a água que corria voltava a ficar limpa em pouco tempo. nem espuma já se via. e só se ouvia o rio a murmurar.

os pássaros não levantavam voo por causa do barulho das mulheres.



e uma flor era só uma flor.

continuo o caminho, não a colho. está no lugar certo. tenho de chegar à margem antes de anoitecer.


Comments:
Felizes daqueles que nasceram e crescerem em contacto com a terra.
:)*
 
vamos brincar ao escorrega ,sem pensar em mais nada
.
.
.
queres?

um beijo!
 
"tem sido bom tudo o que sinto e o que me vem ao sentir, da janela do sótão que pensei ter deixado fechada"...
Há esperança...
Lindo texto, continuo a acompanhar-te nesta belíssima viagem interior...com jazz.
Bjs
 
Descreves como olhas... atentamente!

daniel
 
anaïs, concordo.eu só tive essa sorte até certa altura.

Mas não perco uma oportunidade de estar com a Natureza e da contemplar.Assim sremos unos com ela.

:)
 
al-jib, só se for a descer, em pedra lisa. :)

Penso que os outros já não me divertiam.

beijo.
 
Girassol, Obrigada pea companhia e pelas palavras.

Beijo.
:)
 
Daniel, descrever...ver. Ver sim, eu via bem porque vivia um silêncio que me impunha e ainda muitas vezes me alimenta.

Descrever? O que sei disso, agradeço à minha professora da instrução primária por me ter deixado ser à minha maneira.

:)
 
Houve outro comentário que veio por outra via,para esse:

Sim havia cheiros, a sabão azul e branco, às saias de tecido espesso das mulheres, a coentros a ensopado de borrego que ia cozendo numa panela de ferro sobre duas pedras e, a lenha.

aos poejos do rio e a esteva, a penas caídas de pássaros...

Havia cheiros sim, nos dias de lavar.

:)
 
Encontrei este teu blog por mero acaso, e adorei tudo... desde a escrita, som de fundo, fotos...
 
Obrigada Pedro Nobre, Volta sempre.

:) Bom dia.

..............

Para tds, desculpem as gralhas acima, já era tarde e a luz média.

:)
 
Esse texto me levou a uma lembrança de infância quando fui visitar Alaíde, a lavadeira. Morava num casebre perto da beira de uma lagoa. Enquanto papai e mamãe acomodavam as compras, num pequeno armário, que levaram pra ela...eu fiquei debruçada na janela espiando um grupo de mulheres que lavavam roupas na beira da lagoa...O colorido das roupas...o cheiro do sabão...as cantigas de algumas...as conversas das outras...nunca esqueci essa cena... Eram alegres mulheres num dia de labuta , em trouxas de roupas a beira da lagoa.

Me desculpe...é que é uma lembrança tão encantadora. Obrigada por me traze-la de volta.
Que saudades da Alaíde, do seu riso alto e do carinho como tratava a mim e meus irmãos.

beijos

della
 
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