de Stefan Duncan Gallery

31.8.06

migas e entrecosto.


Bryc Gates

- a senhora anda sozinha pelas bermas do rio, de noite e tudo? olhe que é preciso cuidado! em todo o lado há gente de má fé e já nem aqui se dorme de porta no trinco, como antigamente.

- parece que sim pelo que leio nos jornais, mas ainda não vi viv'alma no caminho. também não trago nada que roubar...

- sabe, às vezes não é pelo que roubam, é pelo mal que fazem. e há tanta estrangeirada por aí! já ninguém se conhece...
mas entre, não fique aí à porta e não se vai só com o leite que veio comprar, janta com a gente!

pior é que a janta de hoje é muito à nossa moda. não sei se vai gostar... mas uns ovinhos mexidos fazem-se num instante e tenho pão cozido desta manhã, que está um benza a deus.

- aceito sim senhora, mas como do que houver. obrigada.

Elaine Morgan

Vá-se sentando enquanto eu frito o entrecosto. gosta de migas?

- se gosto?! eram o meu prato favorito cada vez que cá vinha. muitas vezes pedia à minha avó para as fazer só para mim.

- ah, tem família de cá?

- toda a pouca que resta, excepto os filhos.

- e os meninos, não quiseram vir? e o marido deixa-a andar sozinha por esses alcanchais?


- morreu há muito tempo, não pode fazer nada.

- desculpe , lá estou eu a meter-me onde não devo... falo sempre demais, é de estar para aqui com o meu homem, neste ermo. quando aparece alguém é como se me desatassem a goela, não me calo mais.
olhe aí vem ele. deve-lhe ter cheirado a comida pronta, no curral. foi dar comer às ovelhas, o que há pelo montado já não dá para nada. gasta-se uma dinheirama em ração.

nem uma pergunta mais sobre causas da morte, data, o "não voltou a casar?", tão da cidade. nada. os mortos são dos seus. não se toca no sagrado alheio.

um homem que entra, saúda, lava as mãos e a cara, limpa-as a um pano branco mesmo, senta-se à mesa onde, servidas em barro, as migas fumegam e o entrecosto brilha directo à minha gula. ponho a pequena flor sobre a mesa ao lado da travessa, nem sei se dão por ela, mas está lá.


eps-golega.rcts

tanto passado em refeição tão simples! se esta gente tivesse ideia do tanto que hoje deu...

- nem pense que a deixamos sair a esta hora para ir dormir num saco, na friagem da noite. tenho o quartinho da minha filha com cama de lavado, sempre pronto, para quando ela lhe der para aparecer. vive em Estremoz e pouco por cá passa... mas olhe, esperança de mãe. sabe como é...


sei.

30.8.06

à beira noite.

Dan Heller

de caminho contorno estevas e pedras, rasgo as pernas em silvados, ponho saliva nos raspões mais fundos, como em rapariga.

o rio caminha paralelo. também a água antes de ter um curso, desbravou o seu espaço como agora faço. queria ir lado a lado mas nem sempre há carreiros já traçados. oiço a voz do rio e não me perco. crio veredas que a erva apagará quando chover.

o sol começa a avermelhar as nuvens e a terra. é a minha hora. tenho de parar. nada me impede de olhar um pôr de sol se longe da cidade.

Rose

na cidade é diferente ou indiferente quase. aqui é um momento mágico, de iniciação para os não experimentados e de contemplação para os demais.

por cá se iniciaram os afectos fora da família, os chamados namoros. o primeiro, na margem deste mesmo rio. os outros, noutros rios ou junto ao mar.

eu e água.

o primeiro namorado era só de mostrar. a fotografia, as cartinhas azuis que chegavam cheias de palavras de amor já para sempre.

tantos amores para sempre me juraram, à beira rio, à beira mar, à beira noite e sempre de caminho para o verdadeiro grande amor primeiro, que acabou um dia por chegar.

tenho fome de pão e sopa quente. quem sabe encontro um monte por aí e me faço convidada para jantar. é uma experiência nova para mim. estou seriamente compelida a tentar.

queria uma flor, uma flor para levar, para oferecer em troca, mas o calor foi muito e está quase tudo uma secura só. acho uma pequenina num recanto de pedra. terá de servir... mais não posso fazer.

Sara Heinrichs

29.8.06

o avô.

olhar a vida de frente. aprendi cedo. nasci tímida mas determinada. não era qualquer vento que me iria afastar, uma nesga que fosse, do caminho a seguir.

magda marczewska

no vento soava a voz distante do avô. - um homem faz o que tem de fazer- falava pouco mas sabia muito. dorido o seu saber feito de guerra de Espanha, de cabo de charrua, de correr herdades a cavalo depois e de cegueira.

- como foi avô? como cegou? - a infância é curiosa sempre.

- nada de mais, uma falha de enxada que saltou ao bater numa pedra e me entrou para a vista. se fosse agora... mas naquele tempo... o patrão ainda quis que eu fosse operado mas não havia já nada a fazer - a voz entristecia um pouco, um pouco só.

- o avô vem com a gente ao rio hoje, não vem? é páscoa.

- vou mas levo o burro. assim se cansares esses caniços ponho-te lá em cima e ele leva-te que conhece o caminho.

at naturehaven

tinha sido homem temido, o avô. as histórias reais da sua vida, muitas vezes me deram força para enfrentar injustiças estrada-vida fora.

o vento atirou-me areia para os olhos, foi só isso. acelero o passo na busca de uma sombra, a frescura do som de água já não basta para esquecer o brazeiro do sol alentejano.

dan heller

aqui está-se melhor. as árvores parecem querer mergulhar os ramos para se refrescar. tiro a roupa e atiro-me para a água, depois de me certificar que não me engano com a fundura do rio neste lugar. nunca vou nadar bem. o meu lado de bruxa só surge se mergulho e posso ver o fundo. o fundo do rio, o fundo da vida, o fundo das gentes.

seco fácil ao vento. ganho o ar acastanhado de camponesa ou de cigana de olhos verdes, se uso roupa comprida. vou dormir uma sesta e caminhar mais pela tardinha.

a avó? da avó lembro as mãos ásperas os múrmúrios críticos a "estes tempos!" e o luto quase perpétuo por filhos, primos, irmãos, pessoas que não conheci. nunca hei-de usar luto.

*Quando voltar ao Alentejo as cigarras já terão morrido. Passaram o verão todo a transformar a luz em canto - não sei de destino mais glorioso. Quem lá encontraremos, pela certa, são aquelas mulheres envolvidas na sombra dos seus lutos, como se a terra lhes tivesse morrido e para todo o sempre se quedassem órfãs.

- não tenhas medo do lacrau, filha. só tens de ter cuidado para não o pisar. ele não quer saber de ti para nada.

a voz do avô adormece-me, trazida pelo vento suão, lá do espaço distante, do tempo ou do milagre de ter memória ainda.

* Eugénio de Andrade.(excerto)


28.8.06

manhã de vento suão

from mnartists

desperto e ergo-me rápido. em criança tinha medo do vento até ele começar a assobiar-me na cabeça mais um poema, longo, cantante, numa cadeia de palavras que só o vento podia juntar, ou um poeta.

*( Lá vem o vento suão!,
Que enche o sono de pavores,
Faz febre, esfarela os ossos,
Dói nos peitos sufocados
E atira aos desesperados
A corda com que se enforcam
Na trave de algum desvão...)

aqueço água , sei que este ano pode voltar a usar-se sem a ferver horas a fio. entristeço ao lembrar que deixam adoecer a água do meu rio a ponto de não servir para beber.
faço um café à velha maneira da avó. bebo-o num púcaro guardado desde há anos. tenho essa mania: guardo coisas absurdas.

guardo tudo o que não vale nada: penas, pedras, conchas, folhas de árvore, bagas secas e púcaros... sei lá! tralhas mágicas da minha vida interior.

mudo de casa, dou quase tudo mas guardo o para os outros inútil e indispensável ao meu sobreviver com história.
bebo café com bolachas de aveia.

-isso é biscoito de cão - dizem alguns. não me importa, não gosto de doces, quase nada. gosto de um pequeno almoço simples de pão com manteiga mas, não tenho pão fresco.


kevin thom


uma semente vem com o vento, desliza no ar à minha frente.

continuo a sorver o café e a assobiar cá dentro a "toada de portalegre" cem vezes dita vida fora.

*Como é que o vento suão

Que enche o sono de pavores,

Faz febre, esfarela os ossos,

Dói nos peitos sufocados,

E atira aos desesperados

A corda com que se enforcam

Na trave de algum desvão,

Me trouxe a mim que, dizia,

Em Portalegre sofria

Coisas que terei pudor

De contar seja a quem for,

Me trouxe a mim essa esmola

Esse pedido de paz

Dum Deus que fere ... e consola

Com o próprio mal que faz?


quando haverá poesia sem sofrimento? penso.

nunca, como com outra arte. quem vive a vida em branca nuvem não precisa de forma de expressão superior.

repego a mochila. sigo o curso do rio. é preciso aproveitar a manhã que o vento traz calor, dia adiante.


*José Régio

26.8.06

adormeço no silêncio da água.

brent golden

um pássaro canta e a minha cabeça que nem a dormir dorme, recita desde a infância, como se cantasse em acção de graças:


*Coitado do rouxinol!
Passou a noite ao relento,
Do pôr ao nascer do Sol,
Sem descansar um momento,
Sempre a cantar, sem dormir,
Absorto no pensamento
De ver uma rosa abrir...




e foi a voz do meu pai que a ensinou, que ele não sabia contar histórias, sabia contar poemas até eu me cansar e me levar ao colo para a cama.


Coitado do rouxinol!
Passou a noite ao relento,
Do pôr ao nascer do Sol,
Sempre a cantar, sem dormir...
Absorto no pensamento
De ver uma rosa abrir
...................

*Mas o mísero, coitado!
Cantando tão requebrado,
Com tal cuidado velou,
Que adormeceu de cansado,
E os olhos tristes cerrou
No minuto, no momento
Em que, ao luar e ao relento,
A rosa desabrochou...
Coitado do rouxinol!


Jean Germain


eu e água, unidas num só corpo. a água corre no leito como os meus pensamentos cheios de vozes antigas, me correm no sangue. e durmo sem dormir. sorrindo ainda.



*António Feijó

25.8.06

demorei mas era mesmo aqui.

é aqui que quero parar e descansar.
quando a chuva vier, as pedras ficarão cobertas todas e podemos fingir ser altos no cimo delas, a coberto do rio, se soubermos bem onde elas estão. em tempos eu sabia...

lá estou eu a sorrir! não há saudade, é um reviver vagaroso e doce que assoma, como se tudo estivesse a acontecer de novo. não estará?

joe braun

aqui não há ninguém, o rio é extenso, tem zonas que só por aventura, alguém encontrará.

dispo-me. primeiro aqueço a saltar pedras, é um gosto meu, depois deito na areia e deixo os pés a chapinhar na água. gosto do som.

paro. tenho mesmo de parar, ali à beira canta um rouxinol a anunciar a noite. são muito esquivos... tão difíceis de ver! mas hoje estou sozinha e tenho tempo. ele deve estar num arbusto pequeno ou nos caniçais ali abaixo... tenho de o encontrar.

lubomir hlasek

sem passo de ladrão como lhe chamo e a lanterna pequena, não teria conseguido vê-lo ainda desta vez. sento-me a ouvi-lo. desço tão devagar como quem faz yoga. não quero perder-lhe o canto.

na cidade há um, numa casa qualquer, numa qualquer gaiola a que, infelizmente, não consigo chegar para o libertar.

acabo por estender-me. estou cansada, andei muito, estou quase a adormecer.

respiro fundo, o canto sabe a noite, a ar lavado... e a céu... e a...


24.8.06

o sótão.

by Wis

gosto de caminhar nas pedras, de saltar de uma a outra, de me deixar escorregar pelas mais lisas. foram os verdadeiros corrimões da minha infância e não têm comparação aos das escadas. sinto o frio húmido da pedra através da roupa.

o rio está perto, vê-se pela erva que nasce nas poças de chuva que não secam.

pena não haver papoilas já. voltarei quando houver. este caminhar é sem tempo e isso é bom.

Enie Sue

tem sido bom tudo o que sinto e o que me vem ao sentir, da janela do sótão que pensei ter deixado fechada. tanta coisa guardada e rica de sensações, pequenas verdades que fazem o essencial da vida e têm surgido, pelo simples pisar de terra verdadeira.

em pedras assim lisas, como esta que piso, lavavam roupa as mulheres cantando ou conversando. batiam-na com força, depois torciam e alisavam-na branca, num plano estendal verde, até ao pôr do sol. e a água que corria voltava a ficar limpa em pouco tempo. nem espuma já se via. e só se ouvia o rio a murmurar.

os pássaros não levantavam voo por causa do barulho das mulheres.



e uma flor era só uma flor.

continuo o caminho, não a colho. está no lugar certo. tenho de chegar à margem antes de anoitecer.


23.8.06

as folhas começaram a secar

escorre a água das bagas já despidas, lavo os olhos. ainda não é outono, infelizmente.

sara heinrichs

preciso procurar uma fonte ou um rio.
fecharam as fontes quase todas. sabe a secura vê-las sem correr, sem as ouvir, lembram ruínas, sinais de pedra que apontam para o passado, para a memória de novo:

- queres vir com o pai de moto ao Alentejo, filha?

- vai pela estrada das fontes? vai?

- vou, fica descansada. nem tu te calavas se eu não fosse...

ria. não ri mais. não que se veja. foi rir para as estrelas como o principezinho. ele era assim, ele é assim. bem humorado até à morte e depois dela.

sacudo os cabelos. sacudo a dor também.

depois da chuva o sol quente demais, depressa seca as gotas refrescantes. a terra geme. ando mais devagar. desço à aldeia para me abastecer. não me sento. não quero. atiro para a mochila o mais que posso e livro-me das mesas cheias de objectos sujos de gente.


michael singer

de caminho, pergunto onde haverá um rio.

- ali abaixo, não tem grande caudal. com este calor... se não chove este ano...

se não chove este ano e os anos que vierem, a terra morrerá. sei isso bem e não respondo. dou-lhe um sorriso em troco, que sou pobre. sigo em frente na direcção da água que ainda há.


José Lopes


quero sair da vida com os olhos a reflectir os rios da minha terra, com a água a levar os segredos dos namoros sussurrados nas margens.

é tão bom namorar ao som de um rio que corre!


21.8.06

lixo

desperto. dobro o saco cama num automatismo normal às minhas manhãs. a minha mente fez-se para a noite, penso melhor no escuro desde sempre.

só agora olho em volta. há cercas em redor de matagal. os homens fazem-se donos de tudo o que puderem. o celeiro tinha a porta trancada, esqueci como os tempos mudaram desde que dormi num, pela última vez.

gerard laurenceau

vem da casa um odor bom a café. é um cheiro de infância. de mãe a preparar as saídas para a escola.

- bebe o leite rapariga, daqui não sais em jejum!

- não gosto de leite...

- a mãe pôe um bocadinho de café e já disfarça. estás tão magrinha.

esforço no beber mas o cheiro era quente, amistoso, matinal.
o cheiro do café do lápis mordiscado do giz e dos pinhais, mistura-se nos meus sentidos de hoje. voo no tempo para as manhãs das corridas ladeira abaixo até ficar sem fôlego e, se era inverno, apanhando o sol ainda a dormir.

corria contra a manhã, em desafio.

Kevin Brett

apetece-me café. para esquecer isso começo uma corrida com um pensamento alegre:
afinal a minha mãe gostou de mim!

quase tropeço e caio. um velho televisor jogado fora no meio das árvores. lixo da civilização.

mudo rapidamente de caminho, vieram-me à memória os telejornais de sangue guerra e aquecimento do planeta. de crianças violadas, de espancamentos nas ruas por tostões, de lixo. de outro lixo.

tenho sorte em ter um bom olfacto, ao inspirar, retenho ainda o bom cheiro ao café da manhã, que não bebi.

19.8.06

árvores não têm silêncio nem o dão.

gerard laurenceau

o vento quase as muda de lugar. quando é assim, silva por entre os ramos. se é brisa, são as folhas que soam como leques em mãos de hábeis orientais.

hoje está leve, murmura segredos. tento ouvi-los. mas não são para mim. a natureza tem sons que não são para os humanos ou que eles perderam. eu perdi. hei-de recuperá-los!

caminho. molho os pés, hábito antigo, nunca fugi das poças de água. faz-me sorrir ser criança outra vez. caminhar com um sorriso nos lábios é um prazer difícil de contar. eu gosto.

escurece rápido. as árvores escondem muito o sol e é já fim de verão. tenho de ir procurando onde dormir.

The Minor White Archive

os cabos de electricidade conduzem aos homens, ao conforto, mas eu só quero uma parede ou telhado de alpendre.

ocuparei quaquer tecto sem pedir. não é meu hábito pedir, a não ser aos amigos que são sempre raros. menos ainda agora.

ser vagabundo é isto? então serei.

e lá vem o sorriso que teima em não me deixar pelo dia fora.

eu voltei a sorrir por pouco e, a ter paz.


18.8.06

vou de comboio, vou.

mecanizado e duro como sou
neste dia
e mesmo assim tu vens
tu me visitas
tu ranges nestes ferros
e palpitas
dentro de mim, poesia.*


from The Minor Archive White

não vou de comboio, ando. até que se rompam as solas e depois. ando sem gente. que alívio! trauteio versos como quem assobia. cada um espairece como sabe e comigo é assim. escolho uma estrada a branco e preto não a preto e branco, parece igual? - não é. vou pelo negativo de uma estrada, o branco envolve-me e só está escuro o onde ponho os pés.



stevoi


tanto me apetecia agora ser
alguém que não pensasse
nem sentisse
alguém que visse padecer
e não visse
alguém que fosse pela estrada fora
neutro como um rapaz
que come e bebe a cada hora
sem saber o que faz!*


espelha-se um cão pequeno nas poças da chuva que caiu. vê-se ao espelho? tem sede? não me aproximo. não lhe faço festas. não quero laços, mais laços nunca mais. acabei de rebentar os nós rasgando os pulsos presos. não, nem um cão. tem coleira, tem dono.

continuo. cantarolando ainda, oiço um correr ligeiro. é o cachorro que me segue. está perdido.
nada a fazer. foi breve a minha liberdade total. há-de cansar-se e parar, onde vir a mão de uma criança que lhe faça uma festa no pelo doirado. quem não se cansa de me acompanhar? sim, quem não se cansa se até eu me canso?
mas descobri um cão.


* Miguel Torga (Ode à Poesia)

15.8.06

partida

Ruip

num chão de chuva, brincando aos equilibristas no arame de pedra molhada, meio a um cerco de muros, fui-me embora.

sufoca-me a cidade. todas elas. se as voltar a cruzar é de passagem, se o caminho não der para as contornar ou para qualquer urgência. para as ver, nunca. são todas iguais. feitas cimento e gente em massa e argamassa de pensares.

de caminho contarei o que vir ou sonhar ou me surgir de novo. sim que o novo existe mas não nos monumentos visitados a comer e a correr, para dizer já vi mais este - viajei!

viajar é sentir. e eu vou tentar sentir, pela estrada fora.

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